Imaginem Legalmente Loira - só que a protagonista é ruiva e não entrou em Harvard


Hoje, sexta-feira, encerrando a semana, eu acordei tarde.

Meu despertador já fica devidamente marcado pra tocar exatamente às 7:30 durante todos os 5 dias comerciais, sendo o horário de sábado decidido na sexta à noite quando a resposta sobre ter aula ou não já é definitiva, e o domingo sem alarme nenhum - porque domingos não foram feitos para serem iniciados com alarmes. Mas de segunda a sexta é sempre a mesma coisa, e o hábito de enrolar pra levantar fica variando por ser dependente do nível de cansaço e do horário em que resolvi deitar na noite anterior. O fato é que antes das 8 da manhã eu sempre estou com meu banho tomado e com minha xícara de café prontinha pra ser feita.

Hoje, 25/05, numa sexta-feira comum e de expediente normal, sem ocasião especial ou feriado marcado no calendário, acordei às 8, levantei às 8:30 e tomei meu café às 9. Me pareceu sensato, já que todos os meus trabalhos para hoje eram fora do escritório, num ciclo que envolvia dirigir pela cidade (com dor no coração, pois: gasolina 5 reais) e falar com servidores públicos pra agilizarem ou me informarem sobre processo tal. Hoje não era um dia de atividades mecânicas e formatação de petições já feitas, com o barulho das teclas de quatro notebooks numa mesma sala se mostrando mais alto do que as vozes de seus usuários; muito menos um dia para sentir o cheiro de café preto no advogado ao lado, impregnando no terno e na gravata, e me deixando com mais vontade ainda de responder "sim Bruna, aceito, com açúcar, obrigada" sempre que a secretária entra na sala perguntando "alguém aceita café?". Eu não fui obrigada a seguir o mecanismo e a mesmice atrelada à escritórios hoje, então me pareceu sábio demais simplesmente não começar meu dia com uma rotina já pre-estabelecida. Hoje era dia de ouvir o alarme, desligar, e dormir por mais meia hora.

Existe uma sensação muito boa em fazer seus próprios horários e não necessariamente ter que bater ponto em lugar x no horário y pra provar sua efetividade como funcionário. Infelizmente continuo sendo escrava do capitalismo, o que significa que ainda sou completamente subordinada aos meus superiores e tenho que justificar caso eu não chegue às 8:30, mas existem dias - dias sorteados - em que essa não é minha realidade. Hoje, entre imprevistos e esclarecimentos - com servidores públicos que tiram a fama que todos os outros tem de serem mal educados -, vagas de estacionamento perdidas e 3 sinais verdes seguidos, me encontrei com todas minhas obrigações resolvidas (na medida do possível - a gente também não pode ter tudo) e com tudo em ordem antes mesmo do final do expediente.

Talvez tenha sido os tais dos 3 sinais seguidos que estavam abertos em uma das piores avenidas da cidade; talvez tenha sido a playlist no carro que aproximadamente a cada 3 minutos tocava uma música que eu nunca tinha ouvido antes, porque alguém tinha colocado na minha playlist colaborativa como indicação (spoiler: eu amei absolutamente todas!); ou talvez tenha sido a paciência daquele senhor de uns 70 anos ao tentar me explicar o que eu não conseguia entender no processo físico em minhas mãos (que porra é Ato Ordinário e porque ele tá datado de 2016 se a gente tá em 2018?) ou até o menino de uns 4 anos que mora no meu prédio, que ao esbarrar comigo no elevador me cumprimentou e ao sair falou "tchau, moça". Definitivamente não foi a STRANS e a demora em que levaram pra me atender lá, ou a cólica que a TPM da vez tá me dando. Mas pode ter sido a Justiça Federal e a estrutura de seu prédio, que tem um auditório em formado de oca, coisa que eu achava interessantíssima quando era criança e passava na frente, tentando entender o que era aquilo ao olhar pela janela no banco de trás em um dos antigos carros da minha mãe. Hoje eu não era mais a menina que espiava pela janela e perguntava o que era aquele prédio engraçado. Hoje eu era uma das pessoas que entravam ali dentro pra de fato realizar um trabalho. Aquilo não me atingiu na hora - nem hoje e nem na primeira vez que entrei lá, achando graça demais no adesivo que eles dão com o nome "visitante" pra gente poder entrar - mas, meu Deus, como atinge agora.

Nas últimas semanas eu venho sendo completamente assombrada por aquele quote clichê (o que não tira sua intensidade) que todo internauta já leu: lembre-se de quando você queria aquilo que tem hoje. De fato, eu tenho inúmeras conquistas e coisas materiais que sempre quis e sempre fantasiei, mas quando elas chegaram não pareceu tão significativo ou pesado como o sentimento que essa frase me trás. Acho que o problema é a gente sempre constantemente querer algo, e querer algo é um processo muito fácil de te fazer esquecer o que você já tem. Tipo comprar sapato: esses dias eu quase comprei um tênis branco porque esqueci que já tinha comprado um, que inclusive nunca usei. Problemas de primeiro mundo, mas me diz se a reflexão não é válida?

Eu nunca quis estar onde eu estou hoje; não era um sonho meu ser uma estudante de direito de quinto período, com uma rotina estabelecida de trabalho e estudo, podendo ir e vir num prédio tão intocável quanto o da Justiça Federal, sabendo a diferença entre as varas do Tribunal do Trabalho. Tirando as poucas ocasiões em que eu brincava de mexer em papéis, assinar todos rapidamente e digitar de mentira no teclado antigo e encardido do computador que ainda tinha CPU - numa vibe meio: criança que quer ser a Donna de Suits, caso a Donna existisse naquela época -, não consigo lembrar um momento da minha vida sequer em que eu tenha desejado ou esperado por esse momento da rotina feita, do click do mouse e da permissão para representar grandes nomes em órgãos judiciais. Mas eu sempre quis o carro, a independência, o dinheiro próprio e a sabedoria de sair onde ir, como falar e como me virar sozinha. E a gente já debateu sobre como me sinto sobre os meios que eu não necessariamente queria, mas que aceito os fins.


Talvez tenha sido estar lá e pensar em tudo isso - em 5 segundos, com os pensamentos correndo como um flash, totalmente diferente da minha tentativa de racionalizar tais segundos aqui -, ou talvez até não tenha sido nada, mas hoje, num dia livre de rotina, num dia que eu só decidi como e o que fazer ao abrir os olhos, num dia em que eu tomei meu café no horário em que eu já deveria ter saído de casa, no dia dos sinais abertos e crianças fofas e idosos atenciosos: eu senti paz. Literalmente.

O prédio da Justiça Federal é engraçado, e enorme, e me intrigava bastante quando eu era criança, mas hoje posso dizer que a melhor parte de toda a construção e arquitetura por trás foi a ideia natureba da parte de fora, com bancos pra sentar, fontes pra observar e tanto verde que eu sinceramente achei que tinha sido transportada pro Parque do Ibirapuera em São Paulo. Não me lembrava em nada a parte interna, que tirou 30 minutos do meu dia, com luzes artificiais e ar condicionado gelado demais, muitas expressões sérias e muitos ternos - também como uma cena de Suits, só que com menos beleza por parte dos advogados. Terminar meus afazeres mais cedo foi uma boa ideia, porque não necessariamente eu tinha que voltar ao escritório, ao mesmo tempo que não teria que ir para casa - a aula no período da tarde tinha acabado de ser oficialmente cancelada. Tá aí, talvez tenha sido a aula cancelada também.

Eu saí do prédio, e algo lá fora me fez ficar onde eu estava. O vento era digno de ambiente litorâneo, só que sem o sal do mar e a areia, ou seja: infinitamente melhor. O clima era tão agradável que se eu tivesse de jaqueta de couro eu não teria derramado uma gota de suor pela testa, eu garanto - e isso realmente tem significado quando você é do Piauí. Resolvi sentar em um dos bancos desocupados ali, só pra ficar olhando pro nada - pro nada e pras pessoas passando, ocupadas demais num telefonema ou numa conversa pra me reparar ali, sem fazer nada. Contei 3 entregadores de almoço chegando, 4 advogados de terno, 4 mulheres, e uma em específico com o cabelo tão vermelho vivo que a Roberta de RBD ficaria com inveja. Nunca pensei que encontraria a paz no meio do prédio da Justiça Federal, com o cabelo mais esvoaçante do que um clipe pop de alto orçamento bancando ventiladores gigantescos pra trazer o glamour; num balanço perfeito entre o calor e o frio, observando gente ocupada demais pra me observar de volta. Sem trabalho pra fazer até segunda, sem aula pra assistir, ainda com n problemas mas nenhum deles se fazendo presente naquele momento. Ali era só eu, a natureza e meus pensamentos, e tava tudo bem.

Lembro de me sentir tão energizada e purificada que a única reação que eu tive foi pegar o celular pra enviar uma mensagem dizendo "caramba, tô sentindo tudo isso do mais absoluto nada e no lugar mais improvável e sentei aqui só pra sentir e tá tudo ótimo e eu te amo", simplesmente porque eu sabia que podia mandar uma mensagem daquelas pra tal pessoa e não me sentir completamente aleatória. Porque ela entenderia meu momento. Até agora não vi a resposta que me foi dada, só não queria deixar de compartilhar com alguém, porque não parecia real. Mas foi. E o fato de que eu tinha alguém que sentia poder compartilhar só me deixou mais satisfeita ainda.

Foi uma das experiências mais espirituais que eu tive. E pra quem frequentou a igreja a vida toda, isso diz muito.

Não sei o que meu eu de 5 anos diria se eu contasse que hoje tive um momento [meme do cérebro] no meio do prédio que ela achava engraçado. Mas eu também não sei o que ela diria sobre hoje eu ser uma daquelas pessoas que resolvem problemas alheios ali dentro, mesmo sem ideia nenhuma de como resolver os próprios problemas em casa.

Talvez ela me olhasse sem entender nada, porque adultos são pessoas chatas de histórias entediantes, e brincar no balanço da escola é mil vezes mais legal. Talvez, só talvez, ela ficasse feliz, em saber que o eu do futuro chegou onde ela nem imaginou que chegaria.


***

Me corrijam se eu estiver errada, mas acho que meu recorde pessoal são duas letters em 10 dias - e isso me dá quase tanta felicidade do que olhar pro céu hoje. O ato de escrever está lentamente caminhando pra virar meu maior companheiro de novo, e é tão bom saber que eu pertenço em algum lugar ou em alguma coisa. Pertencer na escrita é um título que me orgulho de ter.

Esses últimos dias, uma coisa que tem me animado muito também é conhecer músicas novas de gente que nunca me apeteceu parar pra ouvir - e foi por isso que saí coletando todas as indicações possíveis pra preencher a já citada playlist de recomendações. Aqui a gente abre um espaço pra vocês responderem com outras indicações, ao mesmo tempo que eu declaro um cantinho novo permanente pra trocarmos conhecimentos e gostos musicais. Nada tá de fora, tudo pode entrar.

Eu nunca tinha pensado em The National, nem sabia que eles estavam no Lolla, mas comecei a ouvir e sinto que ilustra muito bem o sentimento que tive hoje. Principalmente se for Gospel, do álbum Boxer, com a melancolia do violão com o piano e o sentimento de ter mais por aí do que o que a gente espera ou imagina. Também ando completamente obcecada em Rex Orange County, porque a batida é legal e as letras são mais ainda (eu sempre começo a rir porque parece muito algo que eu escreveria e, já que não escrevi, algo que fala por mim). Television/So Far So Good é o exemplo mais perfeito que eu posso dar. Felizmente vai ter Denise ouvindo The Maine (por culpa da Babs) e imaginando Misery tocando na cena triste do meu filme pessoal, onde eu ando pelas ruas de NYC cabisbaixa com algo que deu errado entre mim e o personagem principal. Vai ter Xtina e Demi Lovato jogando falsete da Melody nas minhas indicações sim, porque também de pop farofa viverá o homem - mas, sinceramente, eu falaria de Fall In Line de qualquer forma, porque é uma música que me dá vontade de berrar junto, mesmo que eu não saiba fazer belting como elas. O bônus é que eu escreveria a letra dessa música inteira numa carta pra minha irmã mais nova. E o álbum novo inteiro do Shawn Mendes. Mas aí já é outra letter.

Também parei, finalmente, pra ouvir o Original Broadway Cast Recording de Legally Blonde, musical esse que é tão bom quanto o filme (a não ser que você goste de comédia misturada com números musicais, nesse caso o musical pode ser até melhor). Elle Woods - que tanto me inspira com terninhos e canetas de pompom rosa dentro de um tribunal, e que provavelmente me inspirou mais nessa newsletter do que eu queira demonstrar - cantando tanto sobre amor quanto sobre a dificuldade que é faculdade de Direito. Não sei se tem algo mais eu.


Por mais dias olhando pro céu com vento na cara, com música boa pra ouvir e com sensação de que tudo está bem. A vida não é a Elle Woods entrando em Harvard por privilégio e determinação, mas a gente consegue achar a mesma satisfação sentada num banco em alguns minutos.

Pela liberdade de assinar documentos jurídicos com caneta rosa em gel e glitter!


até a próxima,
deni out. 🌻

Tratamentos psicológicos e o que (não) esperar dele

Uma coisa que não te falam sobre finalmente tratar seus próprios demônios e ficar melhor é que você não fica melhor pra sempre. 

Já tem quase um ano que um comprimido cor de rosa e um copo d'água fazem parte da minha rotina noturna, sendo uma das últimas coisas programadas a fazer antes de desligar a luz pra dormir. Hoje em dia esse comprimido me afeta em 0 coisas (além das que ele necessariamente precisa afetar; ex: produção de serotonina no meu cérebro. biologia. outro assunto.) e não me atrapalha em absolutamente nada - pelo contrário. Mesmo com a demonização de medicação e psiquiatra, eu devo minha vida à esse combo, uma vez que eu definitivamente não sei se estaria aqui escrevendo se essa intervenção em forma de droga tivesse demorado mais algumas semanas.

Então eu fiz minha parte, me consultei, me tratei, não fiquei dependente de nada, melhorei, e hoje consigo sentir que felicidade existe sim, já que antes isso era só uma palavra inventada que eu nunca sentia o verdadeiro significado. Literalmente o processo dos sonhos pra qualquer um que tenha que lidar com problemas psicológicos. Tudo bem feito, tudo nos conformes. E agora? 



No meio de tanta discussão sobre problemas psicológicos, e tentativas (falhas e efetivas) de conscientização, é raro encontrar alguém debatendo o depois. A ideia que eu tenho é que vende-se um pensamento que, uma vez procurando ajuda e recebendo o devido tratamento, você tá completamente livre de qualquer outra crise ou desconforto porque tua mente alcançou o nirvana. Isso não existe (a situação -- o norvana existe sim, inclusive conseguiu unir todas as tribos). 

Eu queria que a gente também debatesse o depois. Depois esse que nem é depois, é durante. Pra mim, tratamento não tem fim. Principalmente os tratamentos que servem pra algo que tá dentro de você. Tira a medicação, tem alta da terapia, mas sua mente fica - e meus amigos, se nossa mente não for a fonte de quase todos os problemas que a gente tem que lidar diariamente, eu definitivamente não sei o que é. O tratamento psicológico e psiquiátrico tem fim sim, o que é ótimo; eu nem imagino a alegria (e talvez desespero também) que deve dar quando um profissional desses olha pra ti e diz "sua cabecinha já tá no lugar, pode ir". Acontece que a mente é traiçoeira, e as ocasiões da vida são imprevisíveis, então se tem uma coisa que não finda é nossa constante preocupação com o que a gente pensa e em como a gente reage às coisas. Não é só consertar como se fosse um objeto quebrado que, depois de duas chaves de fenda e um prego bem seguro, não quebra mais. A gente não é objeto. E a gente precisa de conserto constantemente. 

Se algum dia minha terapeuta (hipoteticamente falando, já que estou sem uma no momento, graças à VIDA que não me dá tempo pra tratar de mim mesma) me desse alta porque ela acha que meus problemas com ansiedade estão sob controle, nada me garante que eu não teria vontade de voltar quando meus problemas com meu corpo aparecessem. Infelizmente a gente não tem uma cura ou uma vacina que instantaneamente te deixa protegido de uma crise - e não é como se o governo estivesse oferecendo sessões de terapia e consultas gratuitas ao psiquiatra do mesmo modo que ela divulgou e espalhou vacinhas para H1N1. Percebe?

O que eu queria ter tido consciência antes de começar o meu tratamento é que, além de focar e esperar muito pelo dia que eu conseguiria dar uma risada genuína e me sentir como um ser humano novamente, não era só nisso que eu deveria esperar. Se eu tivesse a consciência prévia que não era tão simples como tratar uma sinusite com remédio, eu teria me prevenido pras crises que surgiram do nada, mesmo com medicação e um bom estado de espírito. Eu teria entendido a vontade de me isolar de tudo e todos como algo inevitável (em algum ponto e em certos níveis) e não no desespero de achar que eu estava ficando mal de novo. Eu talvez tivesse ligado melhor com crises de choro e com pensamentos degradantes que minha cabeça tomou como certa. Eu provavelmente teria tido consciência de que tratamento nenhum te deixa imune a nenhuma dessas coisas.

Eu consigo racionalizar e entender que tratamento não é algo pra não te fazer sentir - é pra te fazer sentir e te ensinar e ajudar a lidar com esse sentimento. Mas a visão cega que eu tinha e o que eu sempre vi sendo vendido era que um remédio e uma terapia iam melhorar minha vida em 100% e que as possíveis crises que eu poderia ter seriam só as crises normais de adversidades da vida, daqueles meio "que merda de dia na universidade" ou "meu chefe me tratou mal, que lixo". Coisas que passam em questão de horas quando você consegue largar delas. Mas não tem isso de largar nada numa mente obsessiva. A única coisa que mente obsessiva de fato larga é da racionalização das coisas, e isso é o que mais me afeta durante uma crise. Esse sentimento de impotência e de ter certeza que vai ficar mal de novo e de achar que, caso isso aconteça, dessa vez você não vai mais conseguir sair de lá.




Eu não posso e nem vou falar pra ninguém que, depois de diagnosticada e tratada, eu não tive pensamentos ruins em relação a mim mesma, nem que eu vez ou outra enxerguei de novo um mundo que seria muito melhor sem minha presença nele, ou que eu não passei noites em claro ansiosa por algo ou preocupada que pessoa x me odiava e pessoa y não tava me tratando bem e eu não sabia o motivo. Essas coisas não vão sair de mim, até porque eu passei a minha vida toda dando atenção a elas, e isso meio que molda um pensamento que nunca foi teu pra algo comum na tua cabeça. No sábado anterior ao dia das mães eu tive uma crise horrível, daquelas bem novela de ter alguém falando contigo e tu responder aos prantos, sem conseguir completar uma frase porque tá soluçando demais. Isso já foi comum pra mim, mas hoje em dia não é mais. Hoje em dia, quando acontece, parece que eu tô voltando à estaca zero e eu fico mais desesperada ainda porque eu não sei o que aconteceria caso fosse esse o caso.

Nessa crise em questão, minha mãe me falou algo que guardei comigo. Depois de me dar um copo d'água, porque ela é um anjo, ela segurou minhas mãos e me disse "se refaça". Eu sei que esse "se refaça" era sobre minha cara, com maquiagem estragada e pontos vermelhos vivos típicos de quando eu choro demais. Mas lá no fundo, pra mim, esse "se refaça" serviu pra todos os pontos da minha vida. Eu tenho que constantemente me refazer, de novo e de novo, pra conseguir lidar com minha própria cabeça. Tenho que me forçar a mudar de ideia quando a vontade de isolamento é muito grande, porque eu sei que esse não é o caminho. Me refaço todas as vezes que quero me distanciar de alguém porque sinto que algo simplesmente não tá certo mas consigo falar com ela sobre isso. Me refaço na universidade quando finalmente pego um livro pra estudar, ou quando consigo chegar no estágio após um dia completamente fora das minhas crenças morais e sociais e ainda sim realizar meu trabalho do jeito que querem que eu o realize. 

Ter um problema e ter que constantemente lidar com esse problema é estar dentro de um ciclo de "se refaça". É ter uma crise sabendo que não gostaria de estar nela, mas já que estamos, qual a melhor forma de lidar com isso? É se sentir mal por n motivos e não repetir o mesmo caminho do passado, porque você sabe onde isso te levou. Demora um pouco - God knows que, na hora de uma crise, você não consegue enxergar mais nada além daquilo e que, por alguns segundos, tua vida e todas as perspectivas pra ela simplesmente não existem mais. Mas a vida continua mesmo quando a gente não quer, e é nesse momento mesmo, naquele entre enxugar as lágrimas e respirar fundo, que a gente pode ter um momento de luz pra conseguir ver além da nuvem negra e falar: Me refaço. 

Talvez o que eu achei que estava dando errado no meu tratamento esteja dando muito certo, sim. 

 



Meu problema com racionalizar as coisas é que eu acho que não consigo de fato fazer isso até que eu escreva sobre. Dito isso, eu só acho minha inspiração pra escrever na dor e na frustração. Peço desculpas (não pedindo, porque sou completamente unapologetic about it - acho que toda arte vinda da dor é palpável e não precisa pedir licença) pelo assunto recorrente. 

Enquanto eu não consigo achar outra maneira de colocar pra fora (ou outra terapeuta - é sério isso, mandem contatinhos não de namoro mas sim de profissionais especializados numa abordagem que não seja a humanista), tamo aqui. Já faz um tempo, mas aqui é minha casinha emocional, construída dentro dos e-mails de vocês, então uma hora ou outra eu sempre volto. 

P.S.: meu chefe saiu por alguns minutos e eu literalmente cuspi esse texto. Não quero revisar pra não meter minha visão crítica em cima e querer mudar tudo num tempo que eu não tô tendo etc etc etc vocês entendem porque a gente já "conversou" sobre isso. Passem por cima dos meus erros - do texto e da vida -, porque eles não são propositais. 

P.S.2.: eu só gosto muito de Nemo mesmo.



 
até a próxima, 
deni out. 🌻

Bolo à beira do oceano com pássaros e abelhas

ATENÇÃO!!!

Essa newsletter é aquele ponto na carreira que toda artista tem ou é forçada a ter. Aquele ponto Britney pós anos 90, depois de Baby One More Time e aparecendo no palco com uma cobra nos ombros pra dançar Slave 4 U. Quando a máscara de boa moça fica meio turva pela ideia de "Good Girl Gone Bad" que é um prato cheio pra mídia lucrar em cima. Hoje a gente vai ter um assunto peculiar ("você não entenderia"), tentando tirar os tons de cinza do meio porque eu não aguento mais ficar no cinza e quero, finalmente, preto no branco.

  

Uma vez, no meio de um debate entre amigos sobre certa situação com sexo no meio, me falaram que eu não tinha como debater ou expressar meu ponto porque eu era da "geração Disney" e que automaticamente eu iria falar com meu modo ingênuo de ver mundo ou romantizaria o que não era pra ser romantizado. Na hora não me abalei muito, já que não conseguia calcular a relação entre comentar um caso público que estava em todos os jornais da época e o fato de que eu via Boa Sorte, Charlie todo dia, 22:30, na antiga programação do Disney Channel, antes de dormir.

Foi só muito tempo depois desse acontecimento que eu parei de fato pra refletir o que significava ser "geração Disney". A gente - eu e meus amigos, nesse contexto - cresceu acompanhando o mundo pop adolescente (que hoje é só mundo pop mesmo, porque ninguém é sensação teen pra sempre), onde estávamos mais interessados em debater o episódio novo de iCarly (que não era da Disney, mas vocês entendem que Disney aqui é um estado de espírito e não uma empresa, certo?) e se o Nick Jonas tava com a Miley ou a Selena. A gente também tinha que acompanhar o maior bafo da época: a gravidez adolescente da irmã da Britney Spears, que basicamente nos obrigava a comprar revistas Capricho. Revistas essas que, posteriormente, nos dariam detalhes sobre a Demi Lovato surtando e indo pra rehab.

Conforme fui crescendo e fui me inserindo em outros ambientes, o foco das conversas foram mudando. Não reclamo, era normal e natural ter uma mudança de perspectiva com o passar do tempo e o envelhecimento das pessoas em questão. Mas como é normal num grupo grande com meninas e meninos que cresceram juntos e estão entrando na juventude juntos, a conversa gradativamente foi mudando de Hannah Montana pra Gossip Girl pra beijo na boca pra namoro sério pra sexo.

Eu sempre tive uma relação muito aberta e tranquila com meus amigos mais próximos, daquelas que a gente não tem papas na língua pra falar o que a gente tá pensando por mais aleatório ou idiota que parecesse. Mas sempre notei que a gente não sentia essa liberdade toda pra falar sobre sexo, ou qualquer outra coisa envolvendo sexualidade: um comentário raramente sobre situação x, um anúncio rápido de "não sou mais virgem!!11!" ou um "vou chamar a fulana lá pra casa na sexta e vai dar certo" - esse último sempre saindo da boca de um menino, que nunca se incomodava de mencionar a própria rotina sexual, enquanto minhas amigas se seguravam tanto pra dar a menor quantidade de detalhes possíveis.

 

A relação que eu achei com a geração DisneyTM e isso, foi que a gente cresceu condicionada a debater o fato de que, MEU DEUS, Jamie Lynn Spears tava grávida aos 16 anos e isso era um choque!!!! Mas nunca passou por nossa cabeça reconhecer que sim, meninas de 16 anos fazem sexo em qualquer lugar do mundo, ou debater as consequências da falta de preservativo numa relação. A gente também aprendeu que todos os nossos ídolos, no auge de sua glória (e controle de imagem por empresários e agentes, coisa que adolescentes de 12/13 anos não pensam sobre) usaram um anel de pureza (o famoso!), rezando de pé junto que sexo só depois do casamento, numa vibe Eu Escolhi Esperar americano, que fazia nossas mães darem graças a Deus e nossos pais ficarem silenciosamente satisfeitos. Aconteceu de termos perdido a construção de um espaço confortável pra debater sobre enquanto estávamos crescendo e, depois de grande, fica difícil estabelecer um safe space que te passe a confiança necessária pra compartilhar algo que tu nunca nem reconheceu que acontecia com os outros, imagine contigo, pra começar.

Em uma conversa que tive esses dias com uma amiga, a gente falou sobre esse medo e tabu que rodeia o assunto sexo, que te faz abaixar o tom de voz sempre que tu vai falar sobre isso com outra pessoa e que te obriga a soletrar s-e-x-o pra tentar dar um eufemismo na palavra. Falam mais do fato de ser um tabu do que do próprio assunto, pra que ele deixe de ser tabu. ("Putzzz a gente tem que quebrar esse tabu!!!" - e continuamos não falando sobre.) A gente foi regido nessa ideia que entrelaçava sexo com religião, vide o anel de pureza abençoado pelo pai dos Jonas Brothers que era um pastor de igreja, o que colocava um receio inicial em qualquer um que tentasse ter coragem o suficiente de iniciar o assunto. E isso foi sempre mais visível nas meninas, embora eu não saiba muito bem como se dá uma conversa só de caras que estão reunidos juntos numa roda (e Deus me livre, nem quero).

Meu ponto, porém, é que as pessoas tem um receio absurdo de falar das próprias experiências e isso priva outras pessoas de terem uma noção inicial sobre uma situação que provavelmente elas vão passar também. Não sei se é meu modo sem remorso nenhum de falar que sou virgem, casado com meu discurso (que não será reproduzido aqui, mas que eu sempre faço questão de mencionar) de que sexo é superestimado sim e que vocês deviam prestar mais atenção em assexuais, mas seja o que for: eu não tenho problema em ouvir histórias e fazer parte delas. Pelo contrário, foram diversas as situações que amigas minhas chegaram pra falar que tinham perdido a virgindade e ficou só por isso. Eu entendo os limites da privacidade de qualquer pessoa, mas veja bem, vai além disso: eu não quero que as pessoas se sintam inseguras ou impossibilidades de compartilhar algo que elas querem falar, simplesmente porque elas não sabem como falar.
 

Só ajuda a corroborar as ideias errôneas que a gente cultiva a vida inteira. A ideia de que "virgindade" é algo relacionado a pureza que é tirada por um pênis, a ideia de que ser virgem depois dos 20 é um atraso que não pode ser aceitado ou mencionado JAMAIS, julgamentos errôneos relacionados a quem simplesmente não se atrai por sexo do jeito convencional e até zoação demais com quem escolhe esperar até o casamento... O anel da pureza dos Jonas hoje em dia é mais falso que nota de 3 reais, mas conheço incontáveis pessoas que convivem comigo que gostam da ideia de se guardar pra alguém e não merecem o walk of shame ou os questionamentos de "não pode ser verdade". Respeitem o tempo e a decisão das pessoas, nem todo mundo funciona como você.

Eu não mudaria meus debates sobre artistas da Disney enquanto crescia de jeito nenhum. Mas, se as coisas fossem um pouco mais leves e levadas de maneira simples, eu provavelmente teria crescido com uma visão diferente. As fotos nuas da Vanessa Hudgens não teriam sido motivo de tanto slut-shaming da minha parte, os boatos de um possível vídeo da Miley e do Nick transando não teriam me traumatizado e, no geral, os ícones teens crescendo não teriam causado tanta comoção. (Lembrar: Miley Cyrus lançando o clipe de Can't Be Tamed, Demi Lovato saindo descabelada da casa do Wilmer de manhã cedo, Taylor Swift insinuando que transava {meu Deus!!!} com determinado namorado em música x, Zac Efron derrubando uma camisinha do bolso no tapete vermelho de uma premiere, Britney Spears não sendo mais a garota santa que dizia esperar até o casamento pra transar com o Justin Timberlake. Todos esses fatos citados foram manchete de revista.)

Eu sou fã demais de lidar com as coisas da forma mais natural possível e de ouvir o que quer que seja que as pessoas se sintam confortáveis pra compartilhar, porque eu gosto de aprender, e do ponto de vista de outra pessoa, melhor ainda. Eu ficava desconfortável não com meu amigo falando que só tinha tido relações com outro cara fazendo papel de passivo, mas sim com o clima pesado que isso gerava na roda de amigos em que estávamos, o que levava a alguém ser obrigado a falar "enfimmmmmm........" pra conversa tomar outro rumo, como se o garoto tivesse que se sentir culpado ou envergonhado por querer compartilhar algo que no momento ele se sentiu confortável o suficiente pra compartilhar.

 

O novo bar da Mia (Swier? Von Glitz?) e do Darren, pelos artigos que li antes da inauguração, tem essa premissa de ser o lugar em homenagem àquela sua avó ou tia boca suja que se sustentava em piadas infames e no que sua mãe gostava de dizer que era "imoralidade". Com um aviso neon na entrada dizendo "come inside me" e nomes de drinks sugestivos, muita gente sentiu uma ofensa pessoal a existência de um bar sustentado na natureza de insinuações. É quase a mesma coisa que acontece durante Contact em Rent, cena que representa a intimidade de todos os casais da peça e *spoiler* a morte precoce da Angel, que vai resultar na separação e frustração de todos eles. Ver essa cena ao vivo pode ser completamente desconfortável. Felizmente, as melhores artes são desconfortáveis mesmo. É um sentimento de estranheza e algo que te dá vontade de não olhar diretamente, porque parece que não deveria-se estar vendo ou ouvindo aquilo por ser uma invasão de privacidade terrível. Gosto como eles cutucam e estão cientes do desconforto que vão causar, porque o objetivo é esse mesmo. E às vezes é gratificante passar por cima do nosso próprio desconforto e pensar "mano, normal, tá tudo bem". A gente tem umas coisas mais pesadas pra se envergonhar.

Eu acho que as crianças de hoje com seu Sou Luna e novelas do SBT com Larissa Manoela não vão entender o estresse que era viver numa época que a gente tinha que saber tudo que tava acontecendo com a golden era da Disney, quando a internet era discada e qualquer fake news era real demais. Namoro de Maisa nenhum vai anular o choque que era sair foto de todos eles juntos em algum Teen Choice, sendo que os tabloides estavam escorrendo tretas silenciosas envolvendo os mesmos nomes que eram só sorrisos em noite de premiação. Ahhh, a simples vida do jovem que só se preocupava em saber se a Demi e o Joe iam namorar ou não, mesmo o Joe tendo a imagem de babaca que terminava um namoro via ligação de 27 segundos (pobre Taylor Swift, eu acho sinceramente que os traumas dela do passado refletem na pessoa que ela é hoje).

Hoje em dia as polêmicas envolvendo a Bella Thorne simplesmente não são boas o suficiente.

Fiz essa newsletter (vocês notaram?? o intervalo pequeno entre letters??) com o simples e único objetivo de colocar em perspectiva que a gente ainda é muito besta lidando com coisas que na nossa cabeça são segredos de estado mas que na realidade fazem muita falta pela ignorância que o não-falar pode resultar.

No mais, fiquem com gifs icônicos da Miley cantando 7 Things com a Selena, música comprovadamente feita pra criticar o Nick que meteu as duas nesse triângulo amoroso que a gente tanto amava acompanhar.


até a próxima, deni out. 🌻

Finalmente eu quero falar sobre amor romântico

Disclaimer: esse texto pode conter altos níveis de drama que o Ted Mosby provavelmente teria. 

Eu nunca tive o famigerado saco pra romance. 

É até engraçado falar isso levando em consideração a quantidade de casais que me fizeram sofrer ao longo dos anos - mas ninguém tá debatendo as características dos casais. E deveríamos. Os meus sempre foram os desfuncionais, os que ninguém gostava, os que quase nunca se encontravam e tinham provavelmente 4 cenas românticas juntos, os que tinha pining ou que uma das partes era completamente idiota de não notar que o outro tava apaixonado e, por fim, e dessa vez eu salvei o melhor pro final: os que tinham angst. A parte da dor e daquele sofrimento clichê de chorar na cama agarrada num travesseiro sempre foi minha parte favorita porque era a mais próxima da casinha em todas as minhas (poucas) experiências. A diferença é que angst fictício geralmente tem um final feliz. Eu não sei nem se meu angst real teve um ponto final, pra começar. 

Não me levem a mal, a minha falta de saco pra romance nunca foi daquele tipo pré-adolescente que usa preto e vive com um livro na mão (que não é livro de romance) julgando todo mundo que tá procurando namorado aos 12 anos e odiando ouvir falar das festa que tinham um roda-a-roda de beijo na boca pra tirar BV. Eu tenho um ✅ em todas essas características, inclusive na parte de usar preto com muito, muito lápis de olho, mas nunca foi por ser mal amada e sim por querer ser amada. Percebe?

Sempre fui a pessoa mais carente que já conheci na minha vida inteira, daquelas que a amiga não pode arrumar meu cabelo bagunçado pra colocar atrás da orelha que já tô planejando nosso casamento e a cor do nosso jogo de cama. Então nunca foi sobre não querer ter contato com o amor romântico e sim não querer >daquele jeito: o largado, de fazer por fazer, sem ter sentido ou razão. O que é normal pra qualquer pessoa de 12 anos que tá tendo as primeiras experiências e vontades. Mas nunca foi o normal pra mim. Eu não queria o festival perde BV escondido no meio do mato na pizzaria durante o aniversário de alguém da sala, eu queria que alguém me notasse. Que falasse comigo porque queria me conhecer e não porque queria chegar na segunda-feira na escola falando que ficou comigo. (Felizmente eu não tive muito esse problema? Eu ia pra zero festas e tinha zero menininhos interessados em mim. A psicologia provavelmente explica que eu sou quem eu sou hoje por causa do modo como eu cresci.)

Acho que meu erro foi não querer viver a vida real e esperar pela vida dos filmes. Não fazia muito sentido pra mim beijar alguém na boca simplesmente por beijar (e ainda não faz; o nome é demissexualidade: it's a thing, google it). Eu queria o romance, o chamar pro date de fato ter o date. Eu sempre quis todos os clichês do descobrimento e apreciação mútua, que resultasse no tipo de momento Blaine-descobrindo-que-é-apaixonado-pelo-Kurt. Nunca foi sobre não querer e sim sobre querer do meu jeito, o que, parando pra pensar, é uma problemática que me assombra em vários campos da minha vida. 

Me pergunto o quanto meu lado sonhador/idealizador me tirou de experiências reais que eu poderia ter tido durante todo esse tempo. É literalmente aquela cena de Love, Simon quando a Leah tá desabafando que não gosta de ser do jeito que é porque ela sente que perde muito ao involuntariamente se reprimir de fazer coisas que sente que não combinam com ela. Foi muito revelador ouvir alguém falando na minha frente que não consegue ser espontânea e que é do tipo que poderia amar tanto alguém que chegaria a sufocar. Porque esse sentimento é muito meu. 

"Eu não consigo."
"Não consegue o que?"
"Ser casual."
 
É isso.

E vem sido isso por bastante tempo agora. Eu não sei simplesmente ser casual e fazer o que as pessoas normalmente fazem sem esforço nenhum. A Leah falou completamente por mim ao dizer que achava que o problema era nela mesmo, porque a festa tava boa, ela tava se divertindo, mas não conseguia parar de sentir que tava lá observando tudo de canto, sem conseguir se envolver por completo. Todas os meus envolvimentos românticos em algum momento acabam se tornando exatamente isso. 

Deus abençoe a Jout Jout, que fez um vídeo debatendo questões amorosas justamente quando eu tava com o mesmo questionamento, e também a amiga que disse não ter um corpo feio pra montanha-russa que é paixão porque ela precisa de 100% de estabilidade pra que as coisas funcionem pra ela. Eu literalmente sou essa amiga. Eu não quero e nunca quis a montanha-russa do "ter que fazer pra saber no que vai dar", da incerta, do "será" e do "se". Será que eu falo pra pessoa x que a vejo como mais que amiga? E se eu falar, vai mudar alguma coisa além de me dar um papel de idiota por nunca ser recíproco? E se for recíproco e eu pegar abuso como todas as outras vezes? Será que daríamos certo? Será que eu sei fazer isso, tanto na parte física (que eu perdi a chance de praticar anos atrás) quanto na parte psicológica? No exato segundo que eu termino de pensar esses questionamentos iniciais (veja bem: iniciais. Têm outros.), eu já penso comigo mesma "aff kkk muito trabalho cansei nevermind k bye".

Débora, amiga com quem eu tenho o mesmo número de semelhanças e diferenças, em uma das várias conversas que tivemos sobre a vida, falou que não aguentava a parte do flerte, da conquista, de se apaixonar, do namoro e derivados. "Eu quero casar, eu quero aquele amor do casamento." Não sou tão adepta à casamento, mas entendi o que ela quis dizer. O amor seguro, aquele que fica na linha tênue entre monótono e familiar porque toda a parte da paixão e de descobrimento já foi. Aquele que tem rotina e você sabe exatamente como vai se desenrolar seu dia em relação àquela outra pessoa porque vocês já vêm construindo essa coreografia por um tempo. Com ou sem casamento, era isso que eu queria também. Infelizmente Débora e eu concluímos que não dá pra chegar na fase 2 sem passar primeiro pela fase 1 com zero conhecimento de jogo. Acho que foi por isso que a gente preferiu ficar empacada no menu. 

Os meus sentimentos tem uma discrepância tão grande com o que acontece ao meu redor que parece que eu tô procurando me enquadrar numa trope old married couple enquanto todo o resto do mundo tá em plot what plot. Sem querer mencionar tanto o Ted Mosby numa letter só, mas tomando liberdade pra isso, a cena da última temporada no restaurante com a Tracy sempre foi algo que fez muito sentido pra mim. Quando os dois se dão conta que já contaram tudo o que tinham de contar um pro outro e que nenhuma história seria novidade ou descobrimento - tirando as que eles ainda iriam viver juntos -, e ficam felizes por isso!!!!! Porque eles queriam se conhecer ao ponto de não ter mais nada restando pra conhecer!!!! Sério: GOALS. 

Relacionamento pra mim é aquele eterno "Deus me livre mas quem me dera". Mas eu quero do meu jeito, e eu acho que, nesse aspecto, deve-me ser permitido um pouquinho de egocentrismo. Minhas tias que nunca casaram geralmente olham pra mim falando que quem muito escolhe sem nada fica. Se for o caso, até prefiro. Já abri mão de muita coisa pra prosseguir em outras que faço/vivo simplesmente por fazer/viver. Eu não quero que >tudo pra mim seja sem sentido ou significado. Basta o que já é. Então eu continuo não tendo vontade de entrar na montanha-russa que é construir algo novo com alguém, porque simplesmente não é pra mim. No entanto, se o Simon não estiver usando a estabilidade e calmaria da roda-gigante hoje esperando o início da great love story dele enquanto todo o resto do mundo fica lá embaixo, por que eu não subiria? 



Um texto inteiro que eu posso resumir com uma música só.  ¯\_(ツ)_/¯ 

 



Depois de uma não-tão-leve crise comigo e minha escrita, onde eu comecei a me questionar se realmente conseguia produzir algo que não fosse medíocre em qualquer área de criação, decidi um negócio: fooooodaaa-seeeeee. Nem sempre eu vou conseguir usar as palavras que eu quero com a profundidade que eu quero e achar que tá bom. E nem deveria. Isso não é uma coletânea de trabalhos do Shakeaspeare, sabe? Sou só eu. E, pra melhorar ou piorar: sou só eu conversando comigo mesma em vossos e-mails.

E vocês vão notar que, infelizmente, minhas conversas comigo mesma tem zero nexo e nunca viram o significado da palavra "conclusão". 

O único resultado que veio com essa crise foi que a partir de agora tô incapacitada de reler qualquer coisa escrita por mim, pra evitar desistência. O que significa que não tem mais revisão ou uma consertada posterior. Mas tá tudo bem, não criemos pânico. Ironicamente eu já escrevi sobre ser uma pessoa nível 7.

Em outras notícias, eu não tenho novas notícias. Não quando 100% das pessoas que estão me lendo agora tem acesso ao meu Twitter, meu lugar favorito de expor minha própria vida. Mas isso é bom também. Vide tudo que eu falei acima, não ter nada fora do comum, pra mim, não é tão ruim assim.

 



até a próxima, 
deni out. 🌻